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sábado, 9 de junho de 2012

"When she was just a girl She expected the world But it flew away from her reach So she ran away in her sleep Dreamed of para- para- paradise Para- para- paradise Para- para- paradise Every time she closed her eyes" Coldplay - Paradise Quando era menina tinha sonhos e aspirações. Todos eles realizáveis. Não queria uma mansão nem um carro topo de gama, não me projetei casada com um milionário. E ainda assim tudo o que pedi para mim falhou redondamente. Ficou apenas um pouco aquém. Estudei o que queria quando quis. Esforcei-me. Caí e ergui-me muitas vezes. Mesmo nos dias em que tudo parecia vão e tudo era tão difícil. Fui eu mesma nos dias em todos os outros eram as expectativas dos que os que rodeavam. Fiz escolhas. Virei e revirei o mundo à minha imagem. Caí e ergui-me. Mais vezes ainda. E quando parecia que tudo era firme e tudo era terra, chovia e as águas levavam todos os alicerces. Toda a esperança. Cresci e estudei num país onde tudo o que nos resta é o nada. É o pouco que tornamos muito. Trago os meus no regaço, uma pequena relíquia de dias em que o Sol não me feria as pálpebras. Torno-me novamente noturna e o cérebro agradece. À noite os dias parecem mais fáceis. Como sonhos pardacentos que desaparecem por entre as nuvens escuras. Quando sinto o corpo parar, limpo a mente, arrumo as prioridades, choro lágrimas de papel. Ainda não é tempo de repousar. Apenas mais um passo, mais um dia, mais uma noite, mais um momento. Sobre os meus ombros descem as profecias que criaram para mim. Como se tudo o que sai das minhas mãos pequeninas seja o desespero com que grito as verdades que vergam os fracos. Existe uma sobriedade fanática na loucura. Parte da população esquece o que tornou a sua vida em álcool e drogas. Os restantes quebram, os músculos retesados, nem mais uma palavra. O medo que verga a espinha dorsal do nosso povo que aguarda a noite com a resignação da dignidade. E ainda assim, continuamos, fingindo-nos. Sorrindo onde não existem sorrisos. Inventando-nos em dinheiro que ninguém tem. Endividados das promessas tolas que a banca nos prometeu em tempos. Endividados, atrelados, cegos. Eu digo que vamos sobreviver a estes tempos. Mas as famílias estarão divididas, os amigos desaparecidos, os corpos lacerados, os corações rasgados, a mágoa. Iremos sobreviver mas o preço a pagar será imenso. Porque quem somos é uma imagem distorcida do que nos imaginámos em crianças. E alguém nos emprestou a máscara com que fingimos todo este tempo. E agora é altura de pagar. Com juros.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Surdez na Perca

FS1,
Repara neste mimo, achei tão comovente :')
Eu lamentavelmente, não só não consigo dormir de olhos abertos como ainda
não tenho audição selectiva...




quarta-feira, 14 de março de 2012

Grito



Existem coisas que a vida me ensinou e que são partilhas do IC:

Nunca namorar com alguém que se considera mais inteligente que eu.
Nunca achar que o sexo ganha o amor de alguém.
Ser apenas eu. Se ser eu não chega, é tempo de mudar.
Sorrir apenas quando quero sorrir.
O mundo é meu. Se alguém me disser o contrário não é digno da minha amizade.
Seguir as minhas intuições. Estão quase sempre certas.
Não perder tempo a explicar raciocínios meus a quem nunca os há-de entender.
Nunca aceitar a verdade dos outros como a minha verdade. As minhas verdades são minhas, a linha que guia o rumo dos outros não é válida para mim.
A maior parte das vezes tudo o que as pessoas me merecem é o silêncio.
A maior parte das relações humanas é uma merda. Não compro felicidades alheias.
Se algo não me faz feliz não finjo que faz. Se estou fodida, estou mesmo fodida. End of story.
Nunca minto. Se não chego para as pessoas é porque não valem o esforço.
Se gosto de algo, gosto muito. Se não gosto idem. Sou intensa.
Não fico particularmente perturbada com a solidão. Gosto de ter tempo onde não existe nada para além do silêncio.
A única coisa que prezo realmente é a verdade. Gosto do que é genuíno.
Digam o que disserem, o sexo é uma parte fundamental de uma relação saudável. Não é tudo mas é nuclear. Uma relação em que o sexo é disfuncional está condenada ao fracasso.
Revejo-me em pouquíssimas pessoas.
Continuo a dizer o que penso, mesmo quando os outros discordam.
Preferia estar sozinha a ser infeliz.
A maior parte das pessoas têm relações porque têm receio de estar sozinhas.
A maior parte dessas relações não me fariam minimamente feliz.
Não quero saber se as pessoas acham que sou antiquada. A opinião dos outros não me interessa minimamente, salvo raríssimas exceções.
Não gosto de estar com muitas pessoas ao mesmo tempo.
Tenho um limitadíssimo tempo social.
Estar com pessoas deixa-me exausta emocionalmente.
As pessoas consideram que ser moderno é aceitar tudo e engolir tudo e ser tudo. Ser tudo é não ser nada. Sou o que sou. Há coisas que não aceito. Temos pena.
Perdoar não é vergonhoso. Aceitar que errámos não é vergonhoso. Tropeçar e cair.
Se realmente amamos alguém é para sempre.
Concordas, fs2?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Verdades

Existem pessoas que têm medo do silêncio e o preenchem com a existência falsa de outras pessoas, com palavras sem qualquer sentido, com consumismos exarcebados cujo único objectivo é calar as vozes que nos gritam por entre os silêncios que nos brindamos. Eu tenho medo do dia em que não souber estar em silêncio comigo mesma, do dia que for devorada pelos monstros que tão bem aprendi a amansar dentro do coração. Existem verdades que por muito ruído que nos rodeie continuam a sorrir-nos por entre os espaços ocos da nossa mente.

domingo, 26 de junho de 2011

A minha lei

Esta ainda é a minha lei e continuará a ser: Arrepender-me apenas do que não faço. E esta é a minha única linha de continuidade.
Não sou contínua. Não sou linear. Não sou um ponto final. Não sou resignação.
Não sou conformidade, não sou fácil, não sou uma recta.
Eu sou um ciclo. Eu apenas continuo de onde parei.
Quando morrer, páro. Quando não tiver voz deixo de gritar. Quando me quebrarem, quando me vergarem.
Até esse momento eu sou eu.
Com tudo o que isso tem de branco e negro. E vermelho. E lilás.
Ama-me. Odeia-me. Despreza-me. Nega-me. Acolhe-me. Aceita-me.
Antes a solidão que a escravidão do ser. Antes o grito que a aceitação banal dos que se fingem.
Vergo quando perco as forças e caio no chão. Mas levanto-me. Reergo-me. Avanço. Apenas com a força da vontade.
Ainda não me quebraram os joelhos fracos. Ainda não me rastejam pelo chão. Não enquanto tiver força para respirar. Não enquanto me restar alguma dignidade.
Tudo o que quero é a memória de quem sou e a independência pequena que o trabalho das minhas mãos me traz.
Tudo o que quero é não precisar das mãos que nunca se estendem, das palavras que não se ouvem. Tudo o que quero é jamais precisar de quem
precisa de mim.
A vida tem sido puta comigo. Mas eu sou puta com a vida.
Querem caminhar caminhem a meu lado. Nunca comigo por uma trela. Nunca comigo com os olhos comidos pelo sal que me apagou a face.
As feridas do corpo saram. As da alma ficam marcadas a lume.
Sim. Termino onde começo. Em espiral. Eterna. Porque eu sou sempre a mesma. Sempre honesta. Sempre firme. Sempre os traços que me definem o rosto.
Não vaciles, amor. Não te movas. Não dês passos em falso. Mantém-te a meu lado. E eu manter-me-ei igual a mim própria. E isso é tudo o que posso prometer.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A true Master




"A Master is not someone who merely revels in the benefits that he reaps from the power and control that he wields over his sub. A Master is not just an automaton who emotionally doles out orders and watches with amusement as his minions perform his bidding. A Master is not a person who only relishes the benefits that his superior status entitles him.
Certainly all of these characteristics could and often do exist within a Master. He may be demanding and at times selfish. He may genuinely enjoy and even be aroused by the power that he has over a sub. He may be able to expertly control his emotions, issuing his commands and enforcing his discipline with stone-faced determination.
But a true Master, a Master was so invested in his sub that he was actually in a way a slave himself. He was a slave to his love for me. He was a slave to his responsibility. He was a slave to the passion and the commitment. He was a slave to his overwhelming desire to protect his property at all costs. He was a slave to his slave. I knew without questions that he loved me so much he’d literally lay down his life for me. He owned me, and his ownership owned him"

Mais uma recolha vinda daqui

quarta-feira, 27 de abril de 2011




“To let go of someone doesn’t mean you have to stop loving, it only means that you allow that person to find their own happiness without expecting them to come back. Letting go is not just setting the other person free, but is also setting yourself free from all the bitterness, hatred, and anger that you keep in your heart. Do not let the bitterness take away your strength and weaken your faith, and never allow pain to dishearten you; but rather let yourself grow with wisdom in bearing it.”

http://www.blogger.com/img/blank.gif
Encontrei este quote aqui

E é o que sinto. Tudo. O que sinto. E o que não sinto. I'm not letting bitterness take away myself with it. I'm just letting go. And I'm bearing it. Bear with me if you love me :)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

What if I had a time machine?




Interrogo-me muitas vezes o que faria se pudesse voltar atrás no tempo.
Quais as escolhas que faria diferentes. Se evitaria de conhecer certas pessoas, se teria aprofundado certas amizades. Se ficaram palavras por dizer. E quais foram. Se poderia ter feito mais. E melhor.
Numa fase da minha vida angustiei-me profundamente a pensar nos caminhos e nas bifurcações. Pensei e repensei, vi-me em todas as situações que me marcaram, decorei as linhas que me levaram até elas.
Ainda hoje o faço. Muito menos vezes, é certo. Mas ainda o faço. Hoje concluo que não teria feito escolhas diferentes. Sempre escolhi com a ideia que estava a fazer a escolha certa. Se não tivesse feito as opções que fiz hoje não seria quem sou.
Este último ano cresci. Aprendi. Mudei. Reencontrei-me. E existe alguma paz dentro de mim. Sei que fiz o que pude pelas pessoas que amei.
Por vezes fiz mesmo o que não podia. Não guardo remorsos. Tentei. Fiz o meu melhor. Escolhi o que me parecia certo, caí e ergui-me muitas vezes.
Reconciliei-me com as impossibilidades. Ainda me assombram de tempos a tempos mas não me toldam os movimentos como no passado.
Ainda me recordo menina e sei que muitas pessoas abusaram da minha inocência. Ainda me lembro com ternura e nostalgia e ainda assim sei que quem era ainda sou hoje, mas hoje defendo-me melhor, não me pesam tanto os erros e os enganos.
Disse as palavras, dei os abraços que soube dar. Hoje, com as mesmas circunstâncias teria tido atitudes muito iguais. Agi conforme pude e conforme sabia e não o fiz com o objectivo de magoar ninguém.
Recordo-me que tinha incertezas. E as pessoas que me rodeavam me vendiam certezas implacáveis, linhas rígidas com que devia definir as minhas acções. Hoje, sei que tenho algumas certezas e que estava certa em muitas coisas e as pessoas estão perdidas dentro de si próprias.
Por isso deixei de ouvir conselhos que não me servem.
Cada vez mais não tenho medo e nada me impede de avançar. Cada vez mais as palavras não me assustam. Cada vez mais sou eu própria.
Sempre fui intensa. Nunca vou mudar. Ainda amo quem sempre amei e isso não vai mudar. Sempre fui impulsiva e quebrada. Isso também não vai mudar.
As únicas mudanças que operaram em mim foram para corrigir as rotas erróneas que me afastavam do meu Eu.
E ainda assim há momentos em que o Sol é tão claro, que me pergunto se estou a sonhar. Os olhos vêem mais hoje.
Estive submersa em dilemas e questões, em debates internos, em tentativas e erro. Mas foi o mais correcto. Precisava desses caminhos para chegar até aqui. Precisava tentar, precisava quebrar-me, precisava iludir-me, precisava descobrir a verdade.
Sei que poderia ter feito outras escolhas. Talvez tivessem encurtado caminhos. No entanto, apenas o sei porque não as fiz. Se as tivesse feito talvez o caminho fosse mais curto mas também talvez não me trouxesse com a aprendizagem necessária.
Amadureci. E gosto do que sou. Cada vez mais. Cada vez me sinto mais autêntica.
E ainda assim, sou tua. Porque escolho. Escolho dar-te a alma, o coração aberto. Talvez escolhas partir um dia. E se esse dia chegar sei que parte de mim morrerá para sempre. A parte de mim que apenas vive em ti.
Talvez o faças. Mas enquanto estiveres aqui, escolho ser tua. Todos os dias. Porque foi assim que me defini e hoje, fazes-me tanto sentido como me fizeste um dia, quando te aprendi.
Sei que ainda não te reencontraste e continuas perdido dentro de ti. Mas quero estar presente quando te encontrares. Mesmo que isso implique perder-te para sempre.
Hoje, sou mais eu. E tu fazes parte do meu Eu.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Para a S.

Questiono-me o porquê de as pessoas se sentirem no direito de fazerem reparos sobre a vida dos outros, a sua imagem corporal ou geral, as escolhas com que se definem.
Pessoas que se calhar também teriam assuntos que deveriam dar atenção.
Porque é mais simples apontar o dedo a alguém do que movermos a nossa vida no sentido que nos parece melhor? Porque a letargia é preferível a corrermos riscos? De nos desiludirmos? De doer?
Porque uma mão cheia de nada é preferível a dar um passo em falso?
E fazem-no com as pessoas que sabem à partida não vão ser tão desagradáveis como elas são. Se isso é aceitar e ser um cordeiro?
Não. Isso é guardar a revolta e ser melhor. Mesmo quando temos diversas coisas que poderíamos responder de volta. Porque esse é o caminho mais simples.
Essas pessoas não nos merecem o tempo que perdemos com elas. Lamentavelmente são a esmagadora maioria.
Encontra quem te aceite. Encontra quem te diga que a tua pele é de todas a mais perfeita. Encontra quem te diga que quando choras o seu coração se contrai. Encontra quem te diga que a tua angústia é a sua angústia. Encontra quem te deixe usares azul. Verde. Vermelho. Roxo. Preto. Encontra quem te ache linda de qualquer forma. Encontra quem te diga que sente a respiração falhar sempre que te vê nua. Encontra quem o faça realmente. Encontra quem compreenda os teus defeitos, quem abra o coração. Encontra quem te diga que tens o número de sotien ideal, que os teus lábios são a sua sede.
Se não encontrares não te contentes com menos que isso.

"Pretty pretty please, don't you ever ever feel.
Like you're less than fuckin' perfect.
Pretty pretty please, if you ever ever feel, like you're nothing.
You're fuckin' perfect to me!"

Pretty. Pretty. Please :)

domingo, 30 de janeiro de 2011




E quando menos se espera o mundo vira-se de pernas para o ar.
Ainda não concluí nada em particular à excepção que sentir invertido é não só divertido como vicia.
Aguardemos francas deliberações, fs's.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dualidade

Sempre fui duas pessoas dentro de mim mesma.
Sempre senti dois sentimentos ao mesmo tempo, sempre racionalizei o que sinto, sempre pensei duas coisas distintas, sempre tive raiva e pena, amor e desprezo, atracção e repulsa, branco e negro.
Com o tempo habituei-me a ser dual e a reconhecer que as duas mulheres que vivem dentro de mim jamais se sentiriam ambas saciadas e que era preferível deixá-las sentir a espaços.
E assim os anos foram passando. Houve momentos em que a divisão do meu coração era tão notória que poderia ter amado dois homens distintos pelo simples facto que elas não pensam e não sentem da mesma forma.
Mas subitamente ocorreu-me que talvez as pudesse reconciliar, talvez pudesse abraçá-las a ambas, a malícia e a inocência.
E isso lançou-me em mais uma crise profunda de identidade. Não existem espelhos suficientemente grandes onde possa espelhar-me completa. Não existem pessoas suficientemente profundas que possam compreender e aferir as duas linhas de pensamento que me queimam por dentro. Ou existem?
Eu quero avançar, eu quero recuar. Quero ser eu, quero ser a outra, quero gritar, quero o silêncio.
Estranhamente há algo que me diz que se não for agora que as assuma a ambas nunca mais o poderei fazer. Perderei o que há de genuíno em mim que é a dualidade.
As pessoas. As que esperam algo de mim. Que esperam coerência e coragem, que esperam que os meus dedos não tremam.
E as outras. As que me dizem que preciso mudar. Que não compreendem que a mudança está a ocorrer a um grau tão intenso que é impossível para mim neste momento mudar algo mais. E mesmo que fosse, mudaria? Porque há em mim uma mulher que me diz que não. Não mudaria, não, pelos outros não. Porque o resultado que está à vista agora já foi alvo de mudanças que vieram de dentro.
O que eu preciso não é avançar. É recuar ao momento em que quebrei o coração em dois para sobreviver entre os restantes.
Ontem entrei para dentro. Não antevejo que vá sair de dentro do meu âmago nos próximos tempos. A solidão fala comigo de igual para igual. E hoje, ninguém vive dentro da minha solidão.
Ontem, pela primeira vez em muitos anos fui à fonte e voltei sozinha. E as asas abriram-se perigosamente perto do momento em que ia estilhaçar.
Estranhamente há algo de poderoso na ausência do teu rosto. Hoje acordei com a certeza que a tua partida me fez bem. Já não são as tuas mãos que me percorrem a pele antes do momento da queda.
As fronteiras que dividem o meu ser dos restantes estão cada vez mais definidas.
Sempre tive medo do dia em que ia ter medo de sentir. Esse dia chegou finalmente.
Preciso que me abandonem. Que não sintam afecto. Nem desejo. Nem ternura. Nem que queiram que os meus olhos fitem os seus.
Existe uma acalmia poderosa na inexistência de expectativas.
Tenho medo de sentir. De me apaixonar. De errar. De perder. De não ganhar. De ser eu. De ser ambas. De descobrir mais uma vez que a dualidade do meu ser assusta quem me rodeia.
Das possibilidades. Das incompatibilidades.
Tenho o coração ferido da mágoa. A alma quebrada. E talvez nunca mais me recupere.
Eu já fui duas dentro de mim mesma e essas duas eram unas.
Preciso voltar a ser eu. Preciso voltar. A ser eu.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O dia em que te deixei partir

Finalmente. Deixaste de me habitar a retina e de me correr nas veias. Sinto-me bem mais leve desde que a tua imagem me desapareceu da memória. Hoje és apenas espectro, igual a tantos outros, e já nem a vontade de te invocar me resta.
Sem motivo aparente, no entanto, deixei-te partir. Levaste contigo a angústia que trazia no peito há tanto tempo. Sem ti voltei a ser eu, e não há nada na vida melhor do que poder ser fiel a si próprio.

Fica apenas uma dúvida: foi a ti ou a mim mesma que eu perdoei?




sábado, 15 de janeiro de 2011

Sufoco

Mesmo quando desenho os caminhos, abro as janelas e deixo o pó sair, mesmo quando o sol brilha, mesmo quando chovem poemas, mesmo quando estou nua, mesmo quando a alma é um espelho, mesmo quando grito sem parar, mesmo quando os pensamentos são de tal forma agudos que rasgam a pele e nascem pelos poros, mesmo quando há tanta coisa a ser dita, mesmo quando a solidão é tudo o que resta, mesmo quando a esperança é um risco que não sei que quero correr, mesmo quando as palavras não chegam, mesmo quando sou transparente, mesmo quando sou branco e negro e vermelho e lilás, mesmo quando aponto a direcção do fim e do princípio, mesmo quando expludo e impludo as pessoas não fazem a mínima ideia da forma como sinto, das regras que regem o meu coração, dos ambientes da minh'alma.
Sinto-me sufocar.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Variáveis

As variáveis que nos ligam a outros seres que nos são relevantes. Objecto de infinitas deliberações entre fs1 e fs2.
Existem diversas linhas, diversos pontos de interrogação e exclamação. Mas penso que podemos reduzi-los a 3 dimensões. A componente emocional, a física e a intelectual.
Poderemos de facto, apaixonar-nos por alguém que emocionalmente nos é distante? Apenas porque fisicamente nos apela? Ou poderemos desejar intensamente alguém apenas porque intelectualmente nos estimula? Sinceramente, acho que sim. Temporariamente, pelo menos.
Num momento.
Mas e numa relação? Que pretendemos que dure mais do que a efusão inicial? Poderemos fazer nascer uma atracção física dum relacionamento emocional e intelectualmente intenso? Mesmo que ela não exista de todo? Porque eu já vivi isto e não consegui.
Idealmente, as 3 componentes deveriam existir pelo menos de forma mediana sendo que possivelmente existirá sempre uma que irá sobrepor-se e evidenciar-se. Mas e na prática?
Quando falo de atracção física logicamente que não estou presa a estereótipos de beleza comum e estática. Para mim a atracção é a fome de pele, a fome de toque.
E quando existe fome de pele e depois não existe estímulo intelectual? Por experiência o que concluo é que a fome desaparece ou mirra com o tempo, sem alimento emocional que atice um fogo facilmente extinguível.
O que nos leva à encruzilhada, se uma relação não tem as 3 componentes, e quase sempre não tem, qual é a sacrificável? Se não existir sequer uma chama física vamos ter dificuldade sequer em relacionarmo-nos com a pessoa, o que irá impedir o desenvolvimento de um genuíno laço emocional. No entanto, se não existir alimento intelectual a parte física começa lentamente a morrer (pelo menos para mim). E se existirem as duas, nem sempre as pessoas têm a paciência/engenho/complementaridade para criar um laço emocional que as sustenha.
Quando pondero sobre isto a verdade é que todas as minhas relações falharam porque não existia uma das componentes. Ou porque não era

suficientemente forte.
E quanto mais pondero mais concluo que é assim com todas as pessoas.

E depois existe o amor. Que é isto e mais. Motivo para toda uma nova deliberação que não irei fazer hoje.
E as variáveis. As que nos impelem. E as que nos repelem. As dinâmicas de relação com os outros. As linhas que se tecem à nossa volta e que muitas vezes nos sufocam.
E se uma parte de mim me diz que existe algures uma pessoa que irá reunir as 3 componentes há outra que me garante que é praticamente impossível.
E ainda outra que me recorda que nem mesmo quando todas estão juntas isso é garantia que 1 - a relação dure; 2 - as pessoas sejam complementares; 3 - se vá ser feliz.
Agora perguntem-me como se cria um laço emocionalmente forte com alguém que não nos é compatível? Não faço ideia. Mas acontece.

O que me traz à conclusão fatal que me foi dita: as 3 componentes it's once in a a lifetime. E agora terás que sacrificar algo porque é possível ser-se feliz apenas com 2. Mas eu sou mais teimosa que isso. Não só não sou feliz apenas com 2 como hei-de garantir que once in a lifetime é uma ideia de merda.
O amor é mais que isso. E eu hei-de agarrá-lo um dia.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Espiral

A minha vida é feita de ciclos. Períodos de profunda instabilidade onde me interrogo sobre as verdades, os engodos, as teorias, o preto e o branco.
Estou mergulhada numa espiral de questões que me estão a minar por dentro. O que quero afinal? Onde começou o erro? Quem são os outros?
Onde os posiciono na minha vida?
Estou cansada de fingir ser quem não sou. Sempre fui duas pessoas dentro de mim mesma. A que tem pena e a que dilacera. A que seduz e a que é seduzida. A que não diz nada e a que diz tudo. A que recua e a que se impulsiona em frente. A que pensa que o melhor é não percorrer aquele caminho e a que começa a correr nessa direcção.
E como em todos os ciclos, de cada vez que páro e respiro é pior. Porque há mais aprendizagem, mais erros, mais desconfiança, mais traição.

Sinto-me tão vazia e tão cheia. Tão quebrada e tão inteira.
As perguntas são sempre as mesmas, as respostas são sempre tão diferentes. Vejo as pessoas, vejo as acções, sei que cada vez as compreendo menos e cada vez vivo mais dentro de mim mesma.
Existem dias que me apetece gritar, existem dias que quero ficar no mais profundo silêncio.
Continuo tão sozinha como sempre. Ou mais ainda, porque perdi pessoas que me eram importantes e que se perderam de si mesmas.
Partilho um inconsciente colectivo apenas com a fs2 e não consigo ler as pessoas. E perdi a vontade.
Afinal vale ou não a pena investir em pessoas que arrastam consigo bagagem? Existe uma medida óptima de bagagem? Afinal o que é mais importante a atracção física ou a emocional? A atracção emocional pode durar? Porque é que não ecoo em ninguém para além de uma pessoa que não existem há demasiado tempo?
Estou sufocada de ideias, partilhas que preciso fazer e ao mesmo tempo que me esgotam de as partilhar e de as sentir.
Colecciono desilusões e as esperanças morreram-me. Um dia planeei-me casada e com filhos e uma puta de uma vida que hoje não quero nem oferecida. E hoje não me revejo nessa imagem. Nem em nenhuma.
Vejo-me velha e sozinha. Vejo-me nova e sozinha. Vejo-me no cinema, nos concertos, vejo-me perdida numa vida profissional qualquer sem interesse, vejo-me a atrair as pessoas porque sou estranha, vejo-me a repugná-las porque sou estranha, vejo-me a invadi-las mesmo sem querer. A semear ideias, a corromper inocências, a transformar tudo por completo.
Eu quero mesmo a mesma pessoa anos a fio? Poderei não me cansar de viver? Poderei não acordar oprimida porque as pessoas têm funcionamentos que não me fazem sentido?
Eu quero mesmo pessoas diferentes? Apenas porque a espaços me exercem fascínio? Eu quero mesmo estar sozinha?
Eu conseguirei fazer seja o que for que quero?
Sou cada vez mais aguda. Cada vez mais diferente, cada vez mais escondo quem sou. Deixo as pessoas pensarem o que querem. Mantenho-as prudentemente fora do meu alcance.
Preciso digerir isto tudo e estabilizar-me? Preciso mesmo? Ou preciso agudizar-me ao limite, aprofundar e descer mais profundo, algures onde se escondem as respostas e o meu ser.
Preciso angustiar-me? Preciso quebrar esta imagem, preciso soltar-me, abrir as asas e voar?

Desde quando é que sobrevalorizei uma estabilidade de merda? Nunca estive estável mas fiz um sem fim de sacríficios para me estabilizar. Optei por rumos que me pareciam mais estáveis e mais normais. Reneguei-me porque precisava de estar calma num qualquer café, a falar de merda sem interesse nenhum. Porque precisava sentir-me capaz de ser igual a tantos outros, quando não sou. Eu não sou ponta de coisa nenhuma quando sou tudo ao mesmo tempo.
E 6 anos depois ouço "nunca reparei que eras revoltada". Não?? Pah então onde andou 6 anos? Incrivelmente as pessoas não me conhecem e pensam domar-me.
Consigo fingir que não tenho vontade de partir tudo à minha volta. Mas existem intensidades que a minha psique não aguenta simular. E que não quer simular neste momento.
Não vou dizer que está tudo bem. Não vou dizer que acredito em mentiras. Não vou dizer que quero brincar às casas. Não vou dizer que sou umapessoa com um feitio fácil, porque eu sou difícil. E não, não me apeteceu perguntar nada, quando não há nada para perguntar.
Chega de merda, chega de estabilidade, chega de paz podre, chega de dizer que está tudo porreiro.

Está na altura de entrar para dentro.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Viagem na Perca

Está na altura de fazer uma viagem interior. Está na altura de arrumar o passado. Por muito que ele me habite na retina e o veja em flashes durante o dia, não posso continuar "zangada" como diz a fs3. Tenho de me curar para voltar a viver.
Um dia sei que vou fechar os olhos, e quando os abrir vou pensar "já passou". Look far into the distance.
Vamos lá a ver se isto ajuda :)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Revolta na Perca

Dizia-me ontem a fs3 que lhe parecia revoltada. Parecia e estou. Corres-me nas veias, consegues sentir até na minha voz a ira que agora me trespassa sem motivo aparente.

Penso em vários motivos. Encontro muitos e subitamente não encontro nenhum. É duro este exercício de tentar tirar significado dum passado fragmentado. Pensei em tempos que me faria sentido. Agora, sei-o, não tem sentido algum.

E depois há o vazio. É ingente. Tem sido preenchido pela revolta imensa que me consome nos momentos que me esqueço de ser o "eu diplomata" ou o "eu construção social". E vivo intrigada com isto. Com o princípio, o meio, e o fim. Com as palavras, as ditas e as que ficaram por dizer. Com o que sinto, com o que deixei de sentir, com o que temo que nunca mais vá sentir. Contigo, o meu erro mais crasso, que me está a custar tanto a digerir. Com as tuas mentiras e a vida que nos planeaste (?) onde me destruí de forma lenta e voluntária.

Certeza tenho apenas que me levaram uma parte de mim. Levaste-a contigo. Não o devia ter permitido, mas alguém, com genuínos dotes de prestidigitador, conseguiu levá-la consigo e deixou-me um qualquer coelho branco para me entreter. Entreguei a menina à pessoa errada e não me perdoo por isso.

É o choro dela que me alimenta esta revolta imensa. Não sei ao certo para onde a levaram, não sei se conseguirei recuperá-la. O que me falta é apenas e tão somente isso: a menina que me habitava. Ela é o meu mundo, mas aquele que poucos conhecem.

Já dizia V.F. para não ignorares a criança que vive em ti. E estava certo. Com ela foram os meus sonhos, as minhas esperanças, os meus sorrisos. Com ela partiu o que eu tinha de mais inocente e genuíno. O luto que faço é mais por ela do que por mim, que deveria ter sido bastante mais assertiva do que fui.

O meu tesouro mais bem guardado foi-me retirado duma só vez, num golpe lancinante. Não me apercebi a tempo. Estou perdida como nunca estive. A mulher à procura da menina, sem rumo. Porque era a menina que ensinava o rumo à mulher. Porque o sentir estava com ela, e o pensar estava comigo.

Julguei que eras um menino, mas não. És apenas um ser humano falso, carente e desequilibrado, a funcionar pela teoria dos sucedâneos. Mas guardo de ti imagens de um falso menino que me angustiam profundamente e me fazem acreditar, com convicção, que jamais conseguirei ter alguém assim. Porque aquilo que eras foi formatado por mim, ponto por ponto. Como fazê-lo de novo? E tudo mentira. Fragmentos de uma criação tão pura esvoaçam agora em memórias que me obrigo a esquecer.

Gostava de poder ser essa menina outra vez, para que, nos intervalos em que sou mulher, pudesse voltar a ser feliz.
E tenho um aperto enorme no peito porque, acima de tudo, falhei a mim própria, quando precisei de mim.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Facto

Ainda que apagues todos os caminhos que te trazem até mim, a tua alma conseguirá sempre apontar a direcção da minha mesmo no mais profundo escuro.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Arco-Íris na Perca


Hoje deixo-vos uma breve reflexão.

Desde pequena que o arco-íris é, muito possivelmente, um dos fenómenos da natureza que mais me suscita interesse. A explicação do fenómeno não parece ser particularmente complexa, mas também acaba por não ser o mais relevante. O arco-íris acaba por funcionar, ainda que de forma tácita e subliminar, como uma parábola da minha própria existência.

Em boa verdade, o que sempre me intrigou foi nunca conseguir ver um arco-íris completo, mas apenas a sua visão parcelar. Nunca consegui balizá-lo. Nunca acedi ao todo, apenas a uma (qualquer) parte. Isto causava-me uma certa sensação de "incompleto".

Mais tarde, noutros raciocínios subsequentes, constatei que também não lhe conseguia ver o fim (que, segundo alguns livros que li na infância, seria um local longínquo e teria por lá tesouros).


Hoje consigo perceber que o arco-íris poderá efectivamente ter um fim, mas não determinado por mim, ou pelos meus critérios visuais.
Princípio e fim são, neste particular, duas dimensões que dependem intrinsecamente duma outra: a perspectiva de onde se observa.

Pondo de parte os pormenores, centramos-nos no todo que, sendo parcelar ou não, tem tamanho suficiente para me maravilhar. Eu estava tão presa nos pormenores que não me cansei de o tentar delimitar, procurando hipotéticos fins e princípios, que me esqueci do mais importante: a cor. Hoje reconheço-o, porque sinto a falta daquilo que um dia me habitou e já há muito partiu. A vida tem de ser vista de várias perspectivas e não é balizável, aprendi-o tarde demais.

Mas honestamente, já pouco importa. Contento-me com estas reflexões carregadas de cinza, como diria fs1. Porque afinal o que agora
me prende a atenção no arco-íris são efectivamente as suas cores, e não as explicações esotéricas e as racionalidades afins em que me esgotei ao longo dos tempos.
Hoje a vida já não é uma equação (x+y = z), é todo um sistema de equações que o universo preparou para mim e não, nem nunca terei, sabedoria para resolver. Devo aceitar o curso da vida, apenas isso, tudo o que afinal nunca soube fazer, sempre a querer predizer o que não tem predição possível.
E pensando em tudo isto, o Arco-Íris. É nele que encontro o colorido que perdi em mim, e há uma certa nostalgia nisso. Traz-me mais de passado do que de futuro esta constatação, e isso preocupa-me. Mas, como referi noutro texto, esta é apenas a evidência duma esperança esgotada, dissipada ao longo dos anos em que estive entretida a fingir ser quem não sou. Sobrou-me apenas alguma (pouca) vontade para me votar a certas reflexões retóricas, como esta, espaçadamente.

Talvez por isso me detenha com questões menores, porque a vida exige muito mais de mim do que a minha existência monocromática terá para dar presentemente. Ainda assim, começo a temer seriamente que o arco-íris que habitava em mim tenha partido para sempre, ou que alguém o tenha levado sem pedir, que é o mais certo.

Um dia irradiei um arco-íris. Hoje, votada ao lúgubre mundo do cinza, espero ao menos que alguma nuvem simpática me acolha.

sábado, 27 de novembro de 2010

Cinza

Estou entupida de ideias. E de palavras.
Há tanta coisa que quer sair, delinear um qualquer raciocínio que é pertinente e encerra um capítulo.
Sinto pressão nas têmporas, letras que ruem de encontro à pele.
Há apenas uma verdade: o tempo pesa-nos nos ossos.
Ouço-te distante, e todas as frases são mentiras e falácias com que enredas os fracos de espírito.
Nessas mentiras algures, no meio de tantas letras e pontos finais, existem verdades. E eu devia decantá-las, trazê-las à luz do escrutínio da mente.
Mas estou tão perfeitamente queda. Não posso pensar ainda mais do que já o faço, nos intervalos do som das teclas em cadência.
Eu sempre pensei demasiado. É um vício que nunca irei abandonar. Os homens definem-se pela sua paixão. A minha é entender e desafiar as possibilidades, agrupá-las, catalogá-las. Despi-las de fronteiras.
Pensava demasiado e sonhava demasiado, fosse durante o sono ou no tempo que separa uma estação da outra.
Hoje, mais do que nunca, não faço puta de ideia do meu futuro. Mas a solidão parece-me uma saída tão viável como qualquer outra.

Incrivelmente sei que um dia não me farás qualquer sentido, e as tuas arestas serão apenas mais umas arestas entre muitas outras e não o repouso do meu coração.
Um dia, não serás mais que bolor e inexactidão. E isso ainda me dói. Dói-me a garganta, que se estreita perante a ideia de um dia todo o amor que senti não ser mais que uma fantasia absurda e fatal.
E o que é o amor hoje em dia? Uma merda qualquer. Não faço ideia. Há várias nortes aos quais perdi o rumo.

Amanhã estarei numa casa com um gato nos pés e um frio imenso nas mãos. Nos móveis não vão existir fotografias. Também não existirão mágoas. Essas, guardo-as para quem sente.
E neste mundo, garanto-te, ninguém sente ponta de coisa nenhuma.

As linhas estendem-se à minha frente e cada vez a bruma é mais espessa. Trabalho muito e ganho pouco. Estudei muito e o resultado prático disso é um futuro de merda. Ou uma inexistência de futuro.
As pessoas pensam que me conhecem. Pensam diversas coisas, elas pensam inclusivamente que pensam. Mas não têm sequer a noção do que é pensar, acordar com o pensamento a quebrar as têmporas, a rasgar a língua.
Ideias e pensamentos, fios condutores que são intermináveis.
É 1a da manhã e quero esquecer que um dia te amei.

E depois, existe toda a crise económica. Que a mim me parece uma crise de valores. E a crise de sentimentos. A crise de cores. As pessoas são cinza. O mundo inteiro é cinza. E cinza é porreiro, não digo que não.
As pessoas não passam de um momento particularmente aborrecido no mapa de Deus.
Cinza é uma merda. É o que é.
 

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