Fs1, olha quem voltou ;)
Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
Verdades
Existem pessoas que têm medo do silêncio e o preenchem com a existência falsa de outras pessoas, com palavras sem qualquer sentido, com consumismos exarcebados cujo único objectivo é calar as vozes que nos gritam por entre os silêncios que nos brindamos. Eu tenho medo do dia em que não souber estar em silêncio comigo mesma, do dia que for devorada pelos monstros que tão bem aprendi a amansar dentro do coração. Existem verdades que por muito ruído que nos rodeie continuam a sorrir-nos por entre os espaços ocos da nossa mente.
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Reflexões
Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Mordaças
As pessoas arrastam o corpo amordaçado.
O dinheiro que não paga a alma que se
vende em pequenas prestações.
Têm-nos por uma trela.
Sufocam-nos o grito na garganta,
a raiva, a mágoa, a pressão
a sangrar-nos os ouvidos.
Vendemos a inocência, os sorrisos,
a paz, o tempo. Vendemos a ternura,
a luz, sugados pelo vórtice das expectativas.
Esperam-nos. Esperam que sejamos
sorriso, empatia, que sejamos a mão
no rosto. E somos. Somos tão grandes
que transbordamos fora do corpo,
rasgamos as barreiras e quebramos os ossos.
Somos um vórtice, a minha alma um monstro
que me devora por dentro.
Somos um movimento de negação
e afirmação, um ponto de exclamação
após infinitas reticências.
Pulsas. Ouço o batimento do teu coração.
Uma geração inteira a viver-te nas veias.
Falha-te a voz. O cansaço transluz a tua pele.
Vejo claramente. Todas as cores dentro de ti.
A vida como um filme, a lógica implacável
da consequência. Vivemos na extensão do abismo,
suspensos no momento da queda.
Precisamo-nos. O outro que tem as mesmas palavras,
os mesmos significados, as mesmas linhas de definição.
Epicentros de cataclismos que são as únicas verdades
que muitos conhecem. Pouso a mão no teu ombro.
Sereno a tua pulsação. Canalizo o teu olhar para mim.
E enquanto te observo, vês-me. A mesma matriz.
Escondo-me no silêncio que grita e apenas tu me vês
inteira. Sussurro-te no teu desespero, a minha voz a lamber-te
as impaciências. A minha mão a acariciar-te as cicatrizes.
À nossa volta, as pessoas arrastam a alma
muda. Tiraram-lhes a voz, a gana, o arrojo.
O medo que cessa toda a libertação.
Tenho medo do dia que terei medo.
Tenho medo do dia que não tenha forças para gritar.
Por mim e por ti. Por todos os que nos abraçam,
preenchidos de nada e por nós e pelas nossas linhas rectas.
Só tu me podes silenciar, a mão na boca
a sufocar-me o gemido.
Só tu podes engolir-me o grito,
num espasmo de prazer.
Abro-te o silêncio e o amor que vive na aceitação.
Vives. Pulsas. Explodes.
Sorrio-te.
O dinheiro que não paga a alma que se
vende em pequenas prestações.
Têm-nos por uma trela.
Sufocam-nos o grito na garganta,
a raiva, a mágoa, a pressão
a sangrar-nos os ouvidos.
Vendemos a inocência, os sorrisos,
a paz, o tempo. Vendemos a ternura,
a luz, sugados pelo vórtice das expectativas.
Esperam-nos. Esperam que sejamos
sorriso, empatia, que sejamos a mão
no rosto. E somos. Somos tão grandes
que transbordamos fora do corpo,
rasgamos as barreiras e quebramos os ossos.
Somos um vórtice, a minha alma um monstro
que me devora por dentro.
Somos um movimento de negação
e afirmação, um ponto de exclamação
após infinitas reticências.
Pulsas. Ouço o batimento do teu coração.
Uma geração inteira a viver-te nas veias.
Falha-te a voz. O cansaço transluz a tua pele.
Vejo claramente. Todas as cores dentro de ti.
A vida como um filme, a lógica implacável
da consequência. Vivemos na extensão do abismo,
suspensos no momento da queda.
Precisamo-nos. O outro que tem as mesmas palavras,
os mesmos significados, as mesmas linhas de definição.
Epicentros de cataclismos que são as únicas verdades
que muitos conhecem. Pouso a mão no teu ombro.
Sereno a tua pulsação. Canalizo o teu olhar para mim.
E enquanto te observo, vês-me. A mesma matriz.
Escondo-me no silêncio que grita e apenas tu me vês
inteira. Sussurro-te no teu desespero, a minha voz a lamber-te
as impaciências. A minha mão a acariciar-te as cicatrizes.
À nossa volta, as pessoas arrastam a alma
muda. Tiraram-lhes a voz, a gana, o arrojo.
O medo que cessa toda a libertação.
Tenho medo do dia que terei medo.
Tenho medo do dia que não tenha forças para gritar.
Por mim e por ti. Por todos os que nos abraçam,
preenchidos de nada e por nós e pelas nossas linhas rectas.
Só tu me podes silenciar, a mão na boca
a sufocar-me o gemido.
Só tu podes engolir-me o grito,
num espasmo de prazer.
Abro-te o silêncio e o amor que vive na aceitação.
Vives. Pulsas. Explodes.
Sorrio-te.
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Poesia
Domingo, 26 de Junho de 2011
A minha lei
Esta ainda é a minha lei e continuará a ser: Arrepender-me apenas do que não faço. E esta é a minha única linha de continuidade.
Não sou contínua. Não sou linear. Não sou um ponto final. Não sou resignação.
Não sou conformidade, não sou fácil, não sou uma recta.
Eu sou um ciclo. Eu apenas continuo de onde parei.
Quando morrer, páro. Quando não tiver voz deixo de gritar. Quando me quebrarem, quando me vergarem.
Até esse momento eu sou eu.
Com tudo o que isso tem de branco e negro. E vermelho. E lilás.
Ama-me. Odeia-me. Despreza-me. Nega-me. Acolhe-me. Aceita-me.
Antes a solidão que a escravidão do ser. Antes o grito que a aceitação banal dos que se fingem.
Vergo quando perco as forças e caio no chão. Mas levanto-me. Reergo-me. Avanço. Apenas com a força da vontade.
Ainda não me quebraram os joelhos fracos. Ainda não me rastejam pelo chão. Não enquanto tiver força para respirar. Não enquanto me restar alguma dignidade.
Tudo o que quero é a memória de quem sou e a independência pequena que o trabalho das minhas mãos me traz.
Tudo o que quero é não precisar das mãos que nunca se estendem, das palavras que não se ouvem. Tudo o que quero é jamais precisar de quem
precisa de mim.
A vida tem sido puta comigo. Mas eu sou puta com a vida.
Querem caminhar caminhem a meu lado. Nunca comigo por uma trela. Nunca comigo com os olhos comidos pelo sal que me apagou a face.
As feridas do corpo saram. As da alma ficam marcadas a lume.
Sim. Termino onde começo. Em espiral. Eterna. Porque eu sou sempre a mesma. Sempre honesta. Sempre firme. Sempre os traços que me definem o rosto.
Não vaciles, amor. Não te movas. Não dês passos em falso. Mantém-te a meu lado. E eu manter-me-ei igual a mim própria. E isso é tudo o que posso prometer.
Não sou contínua. Não sou linear. Não sou um ponto final. Não sou resignação.
Não sou conformidade, não sou fácil, não sou uma recta.
Eu sou um ciclo. Eu apenas continuo de onde parei.
Quando morrer, páro. Quando não tiver voz deixo de gritar. Quando me quebrarem, quando me vergarem.
Até esse momento eu sou eu.
Com tudo o que isso tem de branco e negro. E vermelho. E lilás.
Ama-me. Odeia-me. Despreza-me. Nega-me. Acolhe-me. Aceita-me.
Antes a solidão que a escravidão do ser. Antes o grito que a aceitação banal dos que se fingem.
Vergo quando perco as forças e caio no chão. Mas levanto-me. Reergo-me. Avanço. Apenas com a força da vontade.
Ainda não me quebraram os joelhos fracos. Ainda não me rastejam pelo chão. Não enquanto tiver força para respirar. Não enquanto me restar alguma dignidade.
Tudo o que quero é a memória de quem sou e a independência pequena que o trabalho das minhas mãos me traz.
Tudo o que quero é não precisar das mãos que nunca se estendem, das palavras que não se ouvem. Tudo o que quero é jamais precisar de quem
precisa de mim.
A vida tem sido puta comigo. Mas eu sou puta com a vida.
Querem caminhar caminhem a meu lado. Nunca comigo por uma trela. Nunca comigo com os olhos comidos pelo sal que me apagou a face.
As feridas do corpo saram. As da alma ficam marcadas a lume.
Sim. Termino onde começo. Em espiral. Eterna. Porque eu sou sempre a mesma. Sempre honesta. Sempre firme. Sempre os traços que me definem o rosto.
Não vaciles, amor. Não te movas. Não dês passos em falso. Mantém-te a meu lado. E eu manter-me-ei igual a mim própria. E isso é tudo o que posso prometer.
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Reflexões
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Ciclo
A vida é uma sucessão de retrocessos,
avanços e recuos onde todas as histórias
são uma mesma história. Todos os erros,
um mesmo erro. Todos os homens,
um mesmo homem. Poeira de cinzas
do que foi um dia o meu coração.
Renasço, pura, cada dia mais autêntica.
Não me minto, não me invento, não me reinvento.
Sou apenas eu, na imensidão que leva a linha ao
ponto final. Quase me perdi de mim mesma
nos anos que antecederam a noite.
Lembras-me? O sorriso inocente, a alma
e os sonhos, os amanhãs, a ternura que oferecia
a cada alma, tão intensa, tão genuína.
A força que impelia e aos poucos o vórtice
de medo, de quebra, a angústia que apagou
os meus olhos dos meus olhos.
Lembras-me? Todas as máscaras,
o silêncio, o grito, eu que não duvidava
que podia mudar o teu mundo.
Eu que alterei a rota das tuas marés.
E um dia rendi-me. E os meus olhos
não viam. E as minhas lágrimas não eram
salgadas. E o meu coração deixou de ser
vermelho. E as minhas mãos deixaram de estar
estendidas. E eu deixei de reconhecer-me.
As palavras deixaram de curar as ranhuras
do meu destino. O rosto mudou.
Morri dentro de mim todas as noites.
Recupero, agora, as palavras.
As inocências, a ternura, as mãos abertas.
Curo-me. Acordo. Voo. Rasgo. Forço. Abarco.
Agarra-me.
avanços e recuos onde todas as histórias
são uma mesma história. Todos os erros,
um mesmo erro. Todos os homens,
um mesmo homem. Poeira de cinzas
do que foi um dia o meu coração.
Renasço, pura, cada dia mais autêntica.
Não me minto, não me invento, não me reinvento.
Sou apenas eu, na imensidão que leva a linha ao
ponto final. Quase me perdi de mim mesma
nos anos que antecederam a noite.
Lembras-me? O sorriso inocente, a alma
e os sonhos, os amanhãs, a ternura que oferecia
a cada alma, tão intensa, tão genuína.
A força que impelia e aos poucos o vórtice
de medo, de quebra, a angústia que apagou
os meus olhos dos meus olhos.
Lembras-me? Todas as máscaras,
o silêncio, o grito, eu que não duvidava
que podia mudar o teu mundo.
Eu que alterei a rota das tuas marés.
E um dia rendi-me. E os meus olhos
não viam. E as minhas lágrimas não eram
salgadas. E o meu coração deixou de ser
vermelho. E as minhas mãos deixaram de estar
estendidas. E eu deixei de reconhecer-me.
As palavras deixaram de curar as ranhuras
do meu destino. O rosto mudou.
Morri dentro de mim todas as noites.
Recupero, agora, as palavras.
As inocências, a ternura, as mãos abertas.
Curo-me. Acordo. Voo. Rasgo. Forço. Abarco.
Agarra-me.
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Poesia
Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Um dia...
Sufoco.
As pessoas esperam, anseiam, estabilizam-me.
Sufoco.
O excesso. O excesso de travessões,
palavras com que fujo à evidência do amanhã.
O cansaço que me verga as vontades e as febres.
Sufoco. Grito. Grito e estilhaço as máscaras.
Esta sou eu. Tão errada como sempre,
tão cheia de imperfeições, tão louca e aguda.
Um dia vou ser linear.
Um dia vou ser previsível.
Um dia vou deixar de ser mar e furacão e fogo.
Um dia não vou queimar.
Um dia vou deixar de prometer a mim mesma
que vai existir um dia.
Esta sou eu.
E eu sou a natureza, eu sou o espelho,
o horror, eu sou o espinho, o teu coração nu,
eu sou a cadência, o pulsar de um erro
perpetuado. Eu sou a inexistência de regras,
as asas abertas, o corpo em queda,
eu sou sempre eu, sempre igual, sempre fascinante.
Como fascinante é o veneno que nos faz alucinar.
Sufoco.
Um dia vou mandar tudo para o caralho.
As pessoas esperam, anseiam, estabilizam-me.
Sufoco.
O excesso. O excesso de travessões,
palavras com que fujo à evidência do amanhã.
O cansaço que me verga as vontades e as febres.
Sufoco. Grito. Grito e estilhaço as máscaras.
Esta sou eu. Tão errada como sempre,
tão cheia de imperfeições, tão louca e aguda.
Um dia vou ser linear.
Um dia vou ser previsível.
Um dia vou deixar de ser mar e furacão e fogo.
Um dia não vou queimar.
Um dia vou deixar de prometer a mim mesma
que vai existir um dia.
Esta sou eu.
E eu sou a natureza, eu sou o espelho,
o horror, eu sou o espinho, o teu coração nu,
eu sou a cadência, o pulsar de um erro
perpetuado. Eu sou a inexistência de regras,
as asas abertas, o corpo em queda,
eu sou sempre eu, sempre igual, sempre fascinante.
Como fascinante é o veneno que nos faz alucinar.
Sufoco.
Um dia vou mandar tudo para o caralho.
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